Yeah...
Senta-te...
Eu fico.
Tu passas.
Estou no mesmo sítio há mais anos do que imaginas,
Vi putos a sonhar... hoje empurram carrinhos de meninas.
Vi velhos de boina a matar horas ao sol,
A fingir que davam pão aos pombos... mas era saudade, só.
Ouvi um "amo-te"... ouvi um "acabou".
Vi um abraço apertado... que nunca mais voltou.
Vi um pai ensinar o filho a apertar os atacadores,
Hoje o filho passa sozinho... a levar flores.
Já fui cama de um homem sem teto nem destino,
E mesa para um miúdo a escrever o seu caminho.
Já vi fatos e gravatas... e mãos cheias de calos,
No fim, quando se sentam... somos todos iguais.
Oh...
Senta-te...
Oh...
Escuta...
Oh...
A vida passa...
Eu fico.
Já ouvi gargalhadas que enchiam a avenida,
E choros tão calados... que partiram a vida.
Vi alianças a brilhar... e dedos sem ninguém,
Aprendi que a solidão também veste bem.
Há quem venha todos os dias... sempre à mesma hora,
Olha para o vazio... e depois vai-se embora.
Nunca perguntou nada... nunca disse o porquê,
Mas os olhos contam histórias... que a boca já não vê.
Eu não julgo ninguém.
Só seguro o peso.
Porque quem se senta...
Nem sempre vem descansar.
Às vezes...
Vem tentar não cair.
Quando passares por mim...
Não olhes para o banco...
Olha para quem lá está.
Pode estar a travar...
A maior batalha da vida.