[Verso 1]
Caos nos olhos mas paz na postura
já vivi noites a perder compostura
agora ando leve, mente madura
tipo tempestade a ganhar estrutura
Não preciso provar que sobrevivi
as marcas no peito já falam por mim
houve fases onde eu quase parti
mas hoje até o silêncio soa clean
Boom bap na alma, trap no instinto
guitarra triste, bass a partir vidro
kick no peito tipo aviso antigo
e eu ainda aqui… vivo
Há versões minhas em cada avenida
o rebelde, o frio, o poeta da ferida
mas ultimamente a própria vida
anda a soar menos suicida
[Refrão]
E eu tou tranquilo no meio do caos
coração quente, passos calmos
já não corro atrás de aplausos
quero só sentir o mundo nos meus braços
Ohhh…
energia sobe sem fim
como se a cidade inteira
respirasse dentro de mim
[Verso 2]
Ela trouxe luz pra dentro da fumaça
e eu deixei de viver só na ameaça
agora até a dor muda de raça
quando o amor aparece e abraça
Mas não me confundam com paz completa
ainda há fogo vivo na caneta
a diferença é que a mente inquieta
aprendeu a transformar guerra em meta
Noites longas, néon molhado
vinho na mesa, futuro improvisado
e eu finalmente equilibrado
entre o homem calmo e o descontrolado
[Ponte]
Respiração funda
olhar na cidade
há beleza até
na brutalidade
[Outro]
Talvez crescer seja isto…
continuar intenso
mas já sem querer destruir tudo