[Verso 1]
Passei tanto tempo a medir o meu voo,
que quase esqueci a altitude do sonho.
Vestia o silêncio por cima dos ombros,
como quem faz do medo o seu próprio dono.
Dobrei as asas...
não por falta de vento,
mas para caber
nos tectos do pensamento.
Chamaram prudência
ao que era prisão.
Há quem viva de pé...
com a alma de joelhos no chão.
[Pré-Refrão]
Já não peço licença
para respirar futuro.
Quem aprende a cair
também aprende o impulso.
[Refrão]
Asas dobradas...
não significam o fim.
São promessas à espera
do instante certo
para sair de dentro de mim.
Asas dobradas...
guardam mais do que se vê.
Porque há voos
que começam
muito antes
dos pés saírem do chão.
[Verso 2]
Nem toda a gaiola
tem ferro ou fechadura.
Às vezes é um aplauso.
Às vezes é uma dúvida.
Fui serrando grades
com dentes de vontade.
Enquanto o mundo vendia atalhos,
eu comprava verdade.
Se a tempestade
me aprende o nome,
que aprenda também
que não morro à fome.
Alimento-me
do impossível.
Porque o impossível
é só uma palavra
que ainda não encontrou coragem.
[Ponte]
Não procuro o céu.
Procuro espaço.
Porque quem descobre
o peso das próprias asas...
nunca mais aceita
andar arrastado.
[Final]
Dobrei as asas
para sobreviver.
Abri-as
quando percebi...
que o horizonte
também estava
à minha espera.