[Verso 1]
Disseram:
"Perdeste o norte."
Sorri.
Quem inventou a bússola
também foi chamado de louco.
Enquanto procuravam aplausos,
eu desmontava perguntas.
Há incêndios
que não queimam casas.
Queimam certezas.
Sempre que mudei de pele,
alguém jurou
que eu me tinha perdido.
Nunca perceberam...
Uma serpente
não troca de pele
porque morreu.
Troca
porque cresceu.
[Refrão]
Se isto é loucura...
deixa-me piorar.
A normalidade
nunca construiu futuros.
Só aprendeu
a repeti-los.
Se isto é loucura...
então não me cures.
Há ideias
que só respiram
fora da gaiola.
[Verso 2]
Há quem viva
como fotocópia.
Mesmo rosto.
Mesmo medo.
Mesmo discurso.
Chamam-lhe estabilidade.
Eu chamo-lhe
modo de espera.
Nunca quis caber.
Sempre quis expandir.
Porque até o universo
passa a vida
a afastar galáxias.
Porque haveria eu
de viver encolhido?
[Final]
Talvez nunca tenha sido louco.
Talvez tenha sido
cedo demais.
E quem chega antes do tempo...
raramente encontra
quem o compreenda.