[Verso 1]
Chamaram-lhe derrota...
eu chamei-lhe ensaio.
Enquanto contavam as minhas quedas,
eu estava a aprender o peso de cada passo.
Nunca tive medo de falhar.
Tive medo...
de ficar igual.
Cada tentativa deixou marcas,
mas nenhuma conseguiu tirar-me a direção.
Aprendi que a dor
não escreve sentenças.
Escreve coordenadas.
E quem sabe lê-las,
chega onde o orgulho nunca entrou.
[Pré]
Não confundas cicatrizes
com pontos finais.
Há pele
que só aprende
quando rasga.
[Refrão]
Tentativas.
Não foram erros.
Foram versões minhas
a morrerem antes do tempo.
Tentativas.
Não foram perdas.
Foram degraus
disfarçados de precipícios.
[Verso 2]
Olha para mim.
Não vejas o homem.
Vê as decisões
que sobreviveram.
Cada "não"
ensinou-me uma língua
que o sucesso nunca falou.
Hoje...
já não corro atrás da sorte.
Faço com que a sorte
tenha de correr atrás da minha disciplina.
Se Deus fechou portas,
não foi para me humilhar.
Foi para me impedir
de viver uma vida
pequena demais.
[Ponte]
O ego gritava.
A consciência sussurrava.
Demorei anos
a perceber
quem dizia a verdade.
[Final]
As minhas tentativas
nunca pediram aplausos.
Pediram coragem.
Porque há pessoas
que vencem uma vez.
E há outras...
que aprendem
a vencer-se
todos os dias.