[Intro]
(Som de estádio lotado ao fundo, abafado por uma batida de grave distorcido)
Eraldo (sussurra): O estádio grita o nome... a alma tá vendida.
Milão, Turim, Verona... o luxo esconde o lixo.
MC Eraldo Terror Squad, essa bola não rola no gramado, ela rola no quadro.
[Verse 1]
Acorda a pele da cidade, a sombra na linha de fora do gol,
Predadores na arquibancada, a fé virando pó no final do rol.
Dinheiro na camisa, dono do placar, a grana dita a jogada,
Enquanto o povo paga ingresso, a dignidade fica refém da rodada.
O glamour clica nos flashes, a dignidade fica no banco reserva,
O jogo é sujo, o prêmio é poder, a ética se curva à aberração severa.
Nos becos da zona norte, o rap não se compra, ele resiste ballando a queda,
Underground em peso, com o peso da culpa que não se despacha na meia-lua.
[Chorus]
Predadores da Série A, o jogo é sujo, a alma é carcomida,
Eles roubam o brilho da noite e deixam a cidade ferida.
Predadores da Série A, já não há fair play na arena,
O clamor do povo ecoa: chegou a hora de quebrar a cadeia.
[Verse 2]
No vestiário da vida, o espelho mostra o preço da dignidade perdida,
Gol de placa pra quem vende a memória da luta, a vitória medida em moeda contida.
A linha de cintura do poder corta a voz das ruas, silêncio patrocinado,
Mas o microfone não se cala: a verdade entra em campo, pesado, devastado.
Eu vejo o verde do gramado manchado pelo tinto do privilégio,
O jogo mudou de mãos: predadores em camadas, o submundo inteiro no placar fictício.
Eu puxo o freio da ostentação, ácido como ácido nítrico na corrente,
Esse crime tem nome: exploração de corpos, em hotéis de luxo, silêncio divergente.
[Chorus]
Predadores da Série A, o jogo é sujo, a alma é carcomida,
Eles roubam o brilho da noite e deixam a cidade ferida.
Predadores da Série A, já não há fair play na arena,
O clamor do povo ecoa: chegou a hora de quebrar a cadeia.
[Bridge]
O estádio grita, mas a voz que luta não cala, não se rende,
Underground na garganta, o peso da rua não se pretende vender.
Onde o glamour pergunta permissão, a dignidade responde com firmeza,
A verdade não sai de campo até que a justiça apareça com clareza.
[Chorus]
Predadores da Série A, o jogo é sujo, a alma é carcomida,
Eles roubam o brilho da noite e deixam a cidade ferida.
Predadores da Série A, já não há fair play na arena,
O clamor do povo ecoa: chegou a hora de quebrar a cadeia.
[Outro]
(Afaixa de estádio se dissipa) a batida fica baixa, o peso fica inteiro,
Terra de luta, noite de vento, o rap segue, verdadeiro.