(intro - grave, arrastado, quase um sussurro)
Eros... Momus...
Um te puxa... outro te empurra...
Noite... Solidão... Vem...
(Verso 1 - lento, denso - EROS)
Eros chega sem bater
É fogo no sangue, é querer morder
É olho que brilha, é mão que treme
É boca que abre, é corpo que vem
Ele sopra no ouvido
"Vai, só hoje, só agora"
Ele jura que é amor
Mas é fome, é sede, é hora
A pele chama, a mente apaga
O depois não importa agora
Eros mente bem
Mente com gosto
Faz tu acreditar que é eterno
O que é só gosto
(Ponte - respiração pesada)
E tu vai...
Claro que vai...
Todo mundo vai...
O problema vem depois...
(Refrão - cuspido, agressivo)
DESEJO TE SOBE
VERGONHA TE DESCE
EROS TE JOGA NO ALTO
MOMUS TE QUEBRA NO CHÃO
É CICLO, É RODA
É CARNE, É PELE
DESEJO E VERGONHA
MORANDO NO MESMO PORÃO
(Verso 2 - acelerado, sufocado - MOMUS)
Acordou... Olhou pro lado...
Tem gente ali... ou tem só eco?
O que tu fez? O que tu disse?
A mente roda igual disco preso
Momus já tava esperando
Com café amargo e espelho
"Olha aqui, olha tua cara
Olha o que tu fez, olha o que deram"
Ele repete a noite inteira
Cada frase idiota, cada passo errado
Te faz pequeno, te faz nada
Te faz querer buraco
A cama ainda quente
Mas tu já treme de frio
Não é o corpo, é a alma
Encolhida, vazia, fria
(Refrão 2 - mais pesado)
DESEJO TE SOBE
VERGONHA TE DESCE
EROS TE JOGA NO ALTO
MOMUS TE QUEBRA NO CHÃO
É CICLO, É RODA
É CARNE, É PELE
DESEJO E VERGONHA
MORANDO NO MESMO PORÃO
(Verso 3 - lento, filosófico, cansado)
O que Eros dá
Momus cobra com juro
O que a noite celebra
O dia enterra no escuro
E a gente repete
Feito bobo, feito cego
Sabendo que o preço vem
Mas indo do mesmo jeito
Porque Eros é mais forte
Na hora que ele chega
E Momus só aparece
Depois que a porta fecha
É o desejo que cega
É a vergonha que acorda
Dois deuses no mesmo corpo
E a gente paga a conta
(Saída - quase sussurro, batida morrendo)
Eros...
Momus...
Um te puxa...
Outro te enterra...
E no meio...
Só tu