[Intro]
Brilha um rascunho de poeira, na vitrine a lembrança acorda.
Quem deixou pra trás, quem achou por acaso, cada traço me cerca.
[Verse 1]
É uma loja de segunda mão, onde o silêncio tem cola de novela antiga,
um sorriso meio tímido espreita no canto da vitrine, que vigia a rua.
Toquei o objeto esquecido, ele respira histórias de festas populares,
risos de São João, balões desbotados e passos de crianças que não voltam.
[Pre-Chorus]
Entre costuras de vida, cada linha sussurra nomes que não lembro bem,
(a tia) tia-avó, Bianca, amigos que a memória não consegue prender.
[Chorus]
É estranho sentir alegria e vergonha ao mesmo tempo,
quando o objeto escolhe meu bolso como um abrigo secreto.
Cada nó da tapeçaria das vidas passadas me diz quem sou,
em cada arranhão há uma história que o mundo prefere esquecer.
[Verse 2]
O toque é curiosidade: tocar é ouvir, ouvir é escolher quem fui,
meu reflexo dança na superfície, revela quem eu ainda posso ser.
A brincadeira entre objetos oscilando entre riso e segredo,
eu, Bianca e as amigas, seguimos o sabor que a poeira deixou.
[Pre-Chorus]
O São João zunindo lá fora parece batucar a nossa memória,
as festas, os passos, a fumaça doce de canjica e canções que não terminam.
[Chorus]
É estranho sentir alegria e vergonha ao mesmo tempo,
quando o objeto escolhe meu bolso como um abrigo secreto.
Cada nó da tapeçaria das vidas passadas me diz quem sou,
em cada arranhão há uma história que o mundo prefere esquecer.
[Bridge]
Quem sou eu entre objetos que carregam calendários de gente esquecida?
Se me perco, é só me encontrar no brilho de uma alça, num zíper antigo.
[Chorus]
É estranho sentir alegria e vergonha ao mesmo tempo,
quando o objeto escolhe meu bolso como um abrigo secreto.
Cada nó da tapeçaria das vidas passadas me diz quem sou,
em cada lembrança que volto a tocar fica com a gente.
[Outro]
A vitrine adormece, mas a narrativa não termina, continua no toque que guarda tudo.