(Verso 1)
Lembrei do teu rosto sujo de terra
Gritando meu nome pra gente brincar
A vida pra nós era paz, não era guerra
E o tempo não tinha pressa de passar.
Onde foi que a gente se perdeu de vista?
Em qual curva da estrada você resolveu parar?
O destino é um rastro de poeira na pista
Que nem o meu choro consegue apagar.
(Verso 2)
Ficou o teu boné pendurado no prego
E a saudade batendo feito um cego na sala
Eu tento esquecer, mas eu nunca me nego
A ouvir tua voz toda vez que o vento fala.
A gente ainda tem aquela caixa de vidro
Com as bolas de gude e o que foi esquecido
O teu lado da cama é um vazio que cresce
Um capítulo mudo que a gente não esquece.
(Refrão)
Ah, meu irmão, o meu mundo emudeceu
A metade da história era você e a outra eu.
Quem vai lembrar das artes que a gente aprontou?
Quem vai guardar o segredo que o tempo roubou?
Você levou a chave do nosso baú de memórias
E me deixou aqui, lendo o fim das nossas histórias.
(Ponte)
Se eu pudesse voltar pra aquele sol de domingo
E te abraçar forte, sem medo do abismo
Eu diria "não vai", eu diria "fica aqui"
Porque eu não sei ser eu sem ter você perto de mim.
(Finalização)
O recreio acabou, mas o amor não tem fim
Leva um pouco de mim, deixa um pouco de ti.
Guarda o nosso lugar na beira do rio...
No céu não tem pressa, nem medo, nem frio.
A gente se vê no próximo sol.
Até breve, meu eterno irmão.