Chegas cansada e já viraste o rosto.
Tudo em ti diz que eu sou um desgosto.
Pergunto o que foi e tu respondes nada, mas esse nada grita na tua cara.
Trabalhas demais, ausente demais. Dizes que mudei, que não sou capaz de te fazer sentir o que sentias antes, mas também estou cansado de ser, o distante.
Não é o trabalho, é a tua frieza. É dormir contigo e sentir-me sozinho na mesma. Tu ouves, mas nunca me escutas. Eu prometo conversar, mas fujo da luta. Eu não quero luz nem perfeição, quero presença , a tua mão na minha mão. Quando falo, tu fechas o coração, e eu vou morrendo em casa discussão. Citamos verdades em tom de ataque palavras que ferem orgulho de saque. Quem tem razão já não importa, mas cada discussão fecha uma porta.
Ainda é amor. Um hábito a dois.
Ainda sou eu que tu queres depois.
Entre promessas quebradas e medo de ficar, diz-me se ainda nos dá para salvar.
Sei que falho quando fico em silêncio,
mas é assim que eu luto com o peso.
Nem todo o homem sabe falar de dor. Às vezes o medo veste-se a rigor.
Não te traí, mas te negligenciei e isso dói mais do que eu pensei e quero mudar.
Mas também preciso de saber se estás aqui para me ver crescer. Eu também errei quando te comparei, quando trouxe o passado para te ferir mais. Mas também cansa amar alguém que não se abre, que guarda tudo e depois desaba.
Ainda te amo, mas estou cansado de ser forte, de ser ignorado. Não quero guerra, quero verdade. Antes que o nosso amor vire só saudade. Se ficarmos juntos, temos que mudar. Se nos largarmos, vamos aguentar. Vale mais ganhar essa discussão, ou perder para sempre quem segura a mão.
Estamos na beira entre ir e ficar,
Entre desistir, ou recomeçar. Se ainda existe amor por trás da dor, como ultrapassar esse dilema sem matar o amor?