(Verso 1)
Eu prometi pra mim mesmo “hoje eu paro” de novo
mas o “hoje” tem gosto de ontem, sempre o mesmo jogo
o relógio me olha torto, rindo da minha cara
cada segundo que passa é mais uma queda rara… ou não rara
o espelho me chama de santo com voz de deboche
me veste de culpa à noite e me solta no reboque
daquilo que eu juro que nunca mais vou tocar
mas minhas mãos têm memória… difícil apagar
(Refrão)
e eu caio… devagar, como se fosse escolha
mas é só gravidade vestida de folha
eu juro “nunca mais”, com a boca tremendo
e o vício só sussurra: “eu já tô te vencendo”
e eu rio… porque dói admitir
que eu sei o caminho antes de cair
e a certeza mais fria que mora em mim
é que eu volto pro começo sem chegar no fim
(Verso 2)
tem um gosto metálico na esperança que eu finjo
como se fosse luz, mas é só outro espinho
cravado no mesmo lugar de sempre
eu me perco de mim com um mapa na mente
e todo “agora vai” soa como reprise
um filme ruim que insiste na mesma crise
eu assisto de fora, mas sou o ator principal
e o roteiro me mata no mesmo final
o silêncio ri baixo atrás da parede
ele sabe meu nome, sabe da minha sede
e cada promessa que eu juro que é última vez
vira só mais um eco do que eu já não fiz
(Refrão)
e eu caio… devagar, como se fosse escolha
mas é só gravidade vestida de folha
eu juro “nunca mais”, com a boca tremendo
e o vício só sussurra: “eu já tô te vencendo”
e eu rio… porque dói admitir
que eu sei o caminho antes de cair
e a certeza mais fria que mora em mim
é que eu volto pro começo sem chegar no fim
(Ponte)
tem algo me esperando com cara de lar
mesmo sabendo que vai me desmontar
é quase carinho, quase abrigo, quase paz
quase tudo que destrói e depois me traz
e eu chamo de fuga o que me prende no chão
um labirinto que mora na minha mão
eu corro, mas o corredor corre comigo
e o meu pior inimigo finge ser meu amigo
(Final)
se um dia eu sair… talvez nem eu vou saber
se fui eu que venci ou deixei de querer
porque aqui dentro a derrota veste ouro e