Caixão que nos faz sonhar te abraça apertado e te deixa afundar de dia é repouso de noite é altar onde enterro o que eu não sei falar eu deito com medo de não acordar e acordo com medo de ter que lutar o mundo lá fora pede pra girar mas eu fico quieta aprendendo a sangrar escrevo no escuro pra ninguém ler deixo o peito aberto pra ninguém ver o sono é fuga o sonho é prisão porque até nos sonhos eu peço perdão por sentir demais num mundo que não tem espaço pra quem sente sem razão se um dia eu não voltar aqui não chora não foi covardia foi só a cama que venceu e me deixou ficar na poesia