**Shhh...**
Fala baixo...
As varejeiras já acordaram.
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*(Verso I)*
Cheiram o sangue...
Antes de verem a ferida.
Vivem da conversa...
Nunca da própria vida.
Andam de roda...
À procura de assunto.
Mas quando a verdade chega...
Desaparecem num segundo.
Sabem o meu nome.
Não sabem quem eu sou.
Contam capítulos...
Do livro que nunca ninguém lhes mostrou.
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*(Pré-Refrão)*
Quanto mais sossegado fico...
Mais elas fazem festa.
Quem vive do barulho...
Nunca aguenta a resposta direta na testa.
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*(Refrão)*
**Varejeiras...**
Voam baixo.
Fazem barulho.
Mas nunca deixam rasto.
**Varejeiras...**
Eu não vos corro.
Abro a janela...
E deixo o vento fazer o resto.
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*(Verso II)*
Enquanto contam vidas...
Eu conto horas de trabalho.
Enquanto inventam histórias...
Eu levanto mais um degrau.
Nunca precisei de plateia.
Nem de aplauso coscuvilheiro.
Quem anda direito...
Dorme sem sobressalto.
O respeito não se compra.
Nem vem com um cargo.
Constrói-se devagar...
Como pedra sobre pedra.
*(Ponte)*
Deus...
Fecha-me a porta ao veneno.
Abre-me só um caminho.
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*(Último Refrão)*
**Varejeiras...**
Continuem a voar.
Quanto mais falam...
Mais pequeno fica o vosso mundo.
Eu fico na minha.
Vocês ficam no zumbido.
No fim...
Só o silêncio...
Tem razão.