*(Verso 1)*
Nasci onde o sol racha pedra,
onde a palavra vale mais que a letra.
Não venhas medir-me pela roupa,
que o pó do Alentejo nunca se ajoelha.
Trazes peito cheio, conversa vazia,
eu trago calos de quem faz o dia.
Falas de poder... eu rio baixinho,
há muito pavão perdido no caminho.
Não me apontes o dedo,
que eu conheço esse filme.
Quem grita mais alto
é quem treme por dentro.
*(Refrão)*
Eu não baixo a cabeça...
baixo os olhos à terra.
Foi ela que me fez homem,
não foi cadeira nem guerra.
Se queres respeito,
ganha-o sem teatro.
Porque o nome que eu deixo
vale mais que o teu estatuto.
*(Verso 2)*
No monte aprendi
que a oliveira não faz barulho.
Dá fruto calada,
enquanto o vento leva o orgulho.
Tu vives da pose,
eu vivo da lida.
Tu contas vitórias,
eu conto comida.
Quando o dia acabar
e o relógio parar,
o teu cargo fica na porta...
o meu carácter vai comigo para casa.
*(Final)*
Sou filho da terra seca,
mas nunca da cabeça baixa.
Quem nasce no Alentejo
aprende cedo...
que a dignidade ninguém a despacha.