[Verse 1]
Relato 1, o murmúrio que não cabe num cartaz: desconfiam de mim, dizem que ouso demais.
Entre olhos que pesam, eu sigo tentando ser claro, cortando a noite com a verdade que não se cala.
A cidade acorda de medo, a gente pede justiça, mas o relógio insiste em atrasar o chão que pisamos.
[Chorus]
Eu sou o demónio que pensa, o que incomoda o sistema,
um jovem de Matola que não se encaixa nas regras,
mas falo a verdade sem medo, mesmo quando o mundo treme.
Se o mundo quer silêncio, eu digo o que vejo, sem dó nem cuidado.
[Verse 2]
Relato 2, Cabo Delgado ferido pela lama do prometer impune: povos clamam por paz, pela rua que respira,
desigualdade desfila na praça, crianças sonham com pão e ensino que não falha.
Eu carrego a voz das ruínas, o frio das promessas que não chegam, e sigo firme, noite adentro.
[Chorus]
Eu sou o demónio que pensa, o que incomoda o sistema,
um jovem de Matola que não se encaixa nas regras,
mas falo a verdade sem medo, mesmo quando o mundo treme.
Se o mundo quer silêncio, eu digo o que vejo, sem dó nem cuidado.
[Verse 3]
Relato 3, eu olho para frente e vejo a ponte entre o sonho e a rua, entre o que a gente merece e o que se oferece,
resiliência é meu manto, coragem meu traje, a verdade é minha lâmina que corta a hipocrisia.
[Bridge]
Se me chamam de ousadia, eu aceito: é esse fogo que alimenta a luta, esse fogo que me faz continuar.
[Chorus]
Eu sou o demónio que pensa, o que incomoda o sistema,
um jovem de Matola que não se encaixa nas regras,
mas falo a verdade sem medo, mesmo quando o mundo treme.
Se o mundo quer silêncio, eu digo o que vejo, sem dó nem cuidado.
[Outro]
Que a vida não apague minha voz: sigo descalço, sigo firme, até que a verdade tenha abrigo.