É dentro de mim que os arquivos sussurram,
memórias sem rosto que nunca se fecham,
com dias que sangram sem deixarem marca,
e instantes que voltam quando a alma dispara
Tudo aqui vive sem ordem, sem lei,
versões de mim,
nem sei quem criei,
gavetas abertas na mente,
onde o tempo se curva e fica presente
Vestígios de mim espalhados em
fragmentos,
na música do pensamento,
nomes que ardem sem precisar existir,
e outros que saem sem nunca partir
Um inventário de tudo o que fui,
antes do mundo me ter reduzido,
e cada lembrança que tenta fugir
volta em silêncio e insiste e insiste.
Aqui dentro nada sabe esquecer,
o passado respira sem querer morrer,
E faz-me andar neste labirinto interno,
entre o que sou e o que ficou eterno