[Verso 1]
Fala de mim quando a mesa fica vazia
quando a tua própria vida perde euforia
porque é fácil apontar a minha travessia
difícil é carregar a própria agonia
Comentam o meu passado com arrogância
mas não suportavam metade da circunstância
eu cresci no meio da turbulência
e ainda assim mantive consciência
Há gente obcecada em vigiar movimento
como se a minha paz lhes causasse tormento
olham de lado, analisam comportamento
mas nunca conheceram o meu sofrimento
[Refrão]
Então fala de mim…
fala alto se isso te distrai
porque enquanto tu observas
eu continuo muito mais vivo do que pensai
Fala de mim…
mas não confundas cicatriz com fraqueza
foi precisamente o inferno
que me ensinou firmeza
[Verso 2]
Já fui assunto em conversas pequenas
gente frustrada escondida em arenas
mas eu transformei dores obscenas
em palavras densas e cenas serenas
Hoje entro frio, mente alinhada
não preciso aprovação da bancada
há uma força silenciosa e pesada
em quem sobreviveu à própria madrugada
Enquanto eles vivem de aparência estética
eu vivo intensidade quase poética
porque alma vazia fica sempre céptica
quando encontra verdade magnética
[Ponte]
O incómodo deles nunca foi o meu passado…
foi eu não ter ficado destruído
[Outro]
Por isso continua…
cada vez que falam de mim
eu percebo o espaço
que ocupo dentro da mente deles