Se eu disser que não espero,
talvez seja pra disfarçar,
porque toda noite a lua
parece me perguntar
se ainda guardo aquele instante
que o tempo não quis levar,
se existe alguma barreira
que o amor não possa atravessar.
Não precisa bater na porta,
se a saudade te trouxer,
nem procurar minhas palavras
pra saber o que ainda é.
Tem silêncio que diz tanto
sem sequer pronunciar,
e tem olhos que encontram
mesmo antes de se encontrar.
Refrão
Enquanto houver uma estrela
teimando em permanecer,
enquanto a noite tiver sonhos
e o dia quiser nascer,
eu vou deixar uma janela
aberta para o acaso,
porque há caminhos que se cruzam
quando o destino dá um passo.
Guardei teu nome no vento,
não pra vento devolver,
mas porque certas lembranças
não nasceram pra morrer.
E se a chuva apagar pegadas
que deixamos pelo chão,
fica aquilo que ninguém vê:
a marca dentro do coração.
Talvez amar seja isso,
não saber onde vai dar,
é plantar uma esperança
sem saber quando brotar.
É ouvir uma velha canção
e o mundo inteiro mudar,
porque uma simples melodia
sabe onde te encontrar.
Refrão
Enquanto houver uma estrela
teimando em permanecer,
enquanto a noite tiver sonhos
e o dia quiser nascer,
eu vou deixar uma janela
aberta para o acaso,
porque há caminhos que se cruzam
quando o destino dá um passo.
Ponte
E se o tempo mudar de nome,
se a estrada mudar de direção,
se amanhã trouxer outro céu
sobre a mesma imensidão,
eu ainda vou reconhecer
o que ninguém conseguiu explicar:
há sentimentos que não pedem licença,
simplesmente aprendem a ficar.
Último refrão
Enquanto houver primavera
depois do inverno chegar,
enquanto houver horizonte
onde meus olhos possam olhar,
eu vou guardar aquele instante
como quem guarda uma canção:
não sei quando você volta,
mas sei onde mora a esperança.