*(Intro)*
Há noites em que o silêncio fala mais alto.
E hoje…
eu puxei uma cadeira para Deus sentar na mesa comigo.
*(Verso 1)*
Copos vazios.
Cinza no cinzeiro.
O coração cansado
de carregar o mundo inteiro.
Perguntei-Lhe:
“porque é que eu sinto tudo assim?”
Porque há gente que entra na minha vida
e deixa furacões dentro de mim?
Ele ficou em silêncio.
E eu percebi:
às vezes a resposta de Deus
não vem em palavras.
Vem em sobrevivência.
*(Pré-refrão)*
Porque eu já caí fundo…
e mesmo assim não morri.
*(Refrão)*
Então senta, Deus, na mesa comigo.
Hoje eu não quero milagres.
Só quero sentido.
Fala comigo no meio do caos,
como um pai fala com o filho.
Porque o mundo ensinou-me a ser forte…
mas nunca me ensinou a pedir abrigo.
E se eu sou intenso demais,
foi porque Tu fizeste o meu peito vivo.
*(Verso 2)*
Já perdi pessoas
que eu jurava que eram destino.
Já amei em silêncio
só para não destruir o caminho.
E ninguém sabe
quantas guerras um homem esconde
quando sorri e diz “está tudo bem”.
Mas Tu sabes.
Tu viste-me nas madrugadas,
a olhar para o teto sem direção.
Viste o orgulho a matar palavras.
Viste amor a virar confusão.
*(Bridge)*
E mesmo sendo uma peste às vezes…
eu nunca fui vazio.
Só fui alguém
a sentir o mundo fundo demais.
*(Último refrão)*
Então fica, Deus, mais um pouco.
O mundo lá fora anda frio.
E se ainda há música dentro de mim,
é porque Tu nunca saíste daqui.
Transforma as minhas quedas em versos.
As minhas lágrimas em caminho.
E quando eu me perder de novo…
lembra-me quem eu sou.
*(Outro)*
Porque no fim da noite…
quando toda a gente vai embora…
há sempre uma cadeira vazia
onde eu sei
que Tu sentas comigo.