Gosto quando a noite fica calma ao teu lado,
como se o mundo lá fora tivesse parado,
e o silêncio entre nós dissesse mais calado,
do que tudo o que já foi demasiado falado.
Tu chegas leve sem fazer barulho,
e eu baixo a guarda sem notar o orgulho,
há paz na forma como me olhas no escuro,
como quem encontra casa depois de um mundo duro.
Não precisamos prometer eternidade,
há beleza só nesta tranquilidade,
na maneira simples como afastas a saudade,
e transformas silêncio em intimidade.
O teu riso entra lento no meu peito cansado,
como sol de inverno num monte abandonado,
e eu que andava perdido e desalinhado,
agora sinto o coração mais sossegado.
Ficamos horas sem pressa nem direção,
tu encostada em mim, eu só a ouvir respiração,
e pela primeira vez em tanto confusão,
o amor parece paz… e não preocupação.
Lá fora a madrugada continua acordada,
mas aqui dentro a vida abranda, acalma,
e eu percebo na forma como me dás a mão,
que às vezes amar… é só encontrar calma.