A saudade não bate à porta...
já mora neste lugar.
Senta-se à mesa comigo
quando me faltas sem te afastares.
Bebe do mesmo silêncio,
respira o mesmo luar.
E faz do teu nome um abrigo
onde me volto a encontrar.
Há noites em que o vento
traz o perfume do teu cabelo.
Fecho os olhos...
e o mundo inteiro
cabe no espaço de um beijo.
Quem disse que a distância
se mede em passos ou quilómetros?
A minha começa
sempre que os teus olhos
deixam de procurar os meus.
Se um dia a saudade tiver voz,
há de cantar baixinho por nós.
Não para lembrar o que passou...
Mas para guardar
o que ainda floresceu.
Porque amar...
não é ter.
É cuidar,
mesmo quando o tempo
nos desafia a permanecer.
Guardei o teu riso
entre as páginas dos meus dias.
Sempre que a vida escurece,
abro essa memória
como quem acende um candeeiro.
Não és um sonho.
Os sonhos acabam
quando acordamos.
Tu és a certeza
que acorda comigo
todos os dias.
E se a vida me perguntar
qual foi o maior milagre
que os meus olhos conheceram...
Direi apenas:
Foi encontrar um coração
onde a minha alma
deixou de andar perdida.
Abraça-me...
Como quem sabe
que os abraços
também curam aquilo
que nunca chegou a sangrar.
Fica...
Porque há pessoas
que passam pela nossa vida.
E há outras...
Que passam a ser
a própria vida.
Se um dia eu partir primeiro,
não chores pela minha voz.
Procura-me no vento,
na chuva mansa,
na luz da madrugada.
Porque o amor
nunca aprende a morrer.
Só muda de morada.
E a saudade...
essa ficará para sempre,
com o teu nome
bordado na minha pele.