[Intro: Judith sussurrando]
— João… o chão tá mole outra vez.
[Verso 1]
Joãozinho acorda com terra nos dentes
Sonhou que o bastão quebrou nos dentes da serpente
Judith já tá pé no chão, pulseira quente
Ela vê pegada que não sai do lugar
Ele vê solução que não quer escutar
Ela canta baixo pra não despertar
O que os avós juraram nunca mais cantar
[Refrão]
Irmãos JJ, mesmo ventre, mesma voz
Ele empurra o medo, ela chama a cruz
Quando a Kalunga aperta, os dois viram nós
Mas o canto só sai se os dois forem dois
[Verso 2]
Na aldeia vizinha, Matubi não dorme
Muxa ensinou ele a esquecer a própria fome
Joãozinho quer ir com o bastão na mão
Judith segura: "Irmão, isso é emboscada, não é missão"
Ele morde os lábios, ela rasga o chão
Desenha um círculo com giz de ossos
"Enquanto eu canto, você faz a proteção"
[Ponte]
Ele é o murro. Ela é a costura.
Um fecha a porta. Outra olha a fechadura.
[Verso 3]
Matubi aparece com olho de vidro
Não é ele que fala, é o brinquedo impuro
Joãozinho avança, Judith grita "FICA!"
Ela vê no peito do primo o escuro
Não é ódio… é um buraco antigo
Que Muxa transformou em grito e sumiço
[Refrão Final]
Irmãos JJ, mesma nóia, mesmo nó
Ele é o escudo, ela é a visão
Quando o Outro Lado sussurrar "fós"
Responde junto: "IRMÃO"
Responde junto: "IRMÃO"
[Outro: Joãozinho]
— Canta, Judith. Dessa vez… eu escuto.