**(Verso I)**
Abre o dia... a rua ainda boceja,
o café levanta a alma, a vida sobe à mesa.
Trago o pó dos caminhos colado às sapatilhas,
tu chegas... e até o cimento cria flores nas esquinas.
Disseram-me: "não entregues o peito por inteiro."
Ri-me... quem faz contas nunca conhece o verdadeiro.
Há quem viva de pose, há quem viva de vitrina,
nós fizemos morada onde a luz era pequenina.
Não vi riqueza nas montras da cidade,
vi-a no teu abraço, sem preço, sem vaidade.
Há quem tenha o mundo e continue perdido;
bastou-me o teu olhar para encontrar sentido.
**(Pré-Refrão)**
Se a vida vier torta, endireitamos o trilho.
Se o vento mudar, mudamos o brilho.
Quem aprende a caminhar descalço no chão,
já não teme o peso de nenhuma estação.
**(Refrão)**
Abre o dia... deixa a rua acordar.
O teu nome faz o sol chegar.
Abre o dia... chega mais p'ra perto.
Até o caos parece certo.
Abre o dia... sem pedir licença.
O amor também é resistência.
Abre o dia... olha bem p'ra nós.
Há silêncios que cantam mais alto do que a voz.
**(Verso II)**
Nunca fui de prometer luas nem impérios.
Prefiro ficar quando aparecem os dias sérios.
Amor não mora na frase mais bonita;
mora na porta que nunca fica entreaberta à despedida.
És o lado calmo da maré revolta,
o regresso certo quando o mundo dá a volta.
Nem todos percebem o valor da caminhada;
há quem conte passos... nós contamos madrugada.
**(Final)**
Abre o dia...
Se o tempo nos puser à prova,
respondemos sem pressa.
Há amores que fazem barulho.
O nosso...
faz caminho.