[Verso 1]
A noite caiu devagar
sobre os telhados da cidade
e pela primeira vez em muito tempo
não senti pressa
Só o som distante do vento
e o teu nome
a repousar dentro de mim
Há paz em certas pessoas
como há luz no poente
não fazem barulho
mas mudam completamente a paisagem
[Refrão]
E eu fiquei assim…
sereno
como maré calma depois da tormenta
Com a alma em bruma leve
e o coração finalmente
a aprender quietude
[Verso 2]
A madrugada tinha cheiro a bonança
chá morno, janela aberta, esperança
e eu sentado no vagar da lembrança
a ouvir o silêncio devolver-me confiança
Tu tens qualquer coisa de açude antigo
dessas águas fundas que guardam abrigo
e eu que sempre vivi meio perdido
contigo até o caos parece antigo
Há ternura na forma como existes
como neblina dourada nos dias tristes
e talvez sem sequer perceberes
andas a salvar partes minhas invisíveis
[Refrão]
Porque há gente que chega
e traz ruído
mas tu…
Tu pareces alvorada
dessas que entram leves
e devolvem cor ao frio
[Outro]
Hoje deixo o mundo correr sozinho
sem medo do destino
Porque depois de tanta tempestade
aprendi que a paz
às vezes chega baixinho