[Intro]
Estrada lateja sob a lua de asfalto, o motor sussurra um segredo de casa.
[Verse 1]
Volto à porteira lenta, o tempo cheira a madeira antiga e chuva.
O violão de aço encontra a viola caipira, duas almas em uma mesma fresta de luz.
A cidade corria atrás de tudo; a estrada me devolve o que eu ainda sou, silêncio com rumor de neon.
O avô, famoso entre histórias, espera com o rosto marcado pelo rugido de shows e o bom senso de raízes.
[Pre-Chorus]
Giro a chave na porta da casa, a madeira range como uma plateia de velhas memórias.
Eu ouço meus passos, ouço os passos dele, em compasso que já foi meu futuro e meu medo.
[Chorus]
Quebra o muro entre concreto e chão de terra, sinto o coração acelerar no peito de fibra e corda.
Liberdade é rumor na garganta, tradição é outra estrela que guia a trilha de estrada.
Meu avô acende a vela da passagem, e a viola canta a minha volta pra casa.
[Verse 2]
Na varanda, o ar cheira a ferrugem de motor e milho assado; o silêncio traz o brilho do ferro de uma serra antiga.
A cidade pisca nos meus dedos, mas a viola—como uma voz de rua—escuta a terra respirar.
O avô fala em passos que não traem, em ritos que atravessam o tempo com o som de rodas na pista molhada.
[Pre-Chorus]
As lâmpadas de néon refletem nos metais—estradas que não dizem adeus, apenas chamam.
Eu sinto a rebeldia dançar com a humildade do terreno, misturando cidade com campo em minha pele.
[Chorus]
Quebra o muro entre concreto e chão de terra, sinto o coração acelerar no peito de fibra e corda.
Liberdade é rumor na garganta, tradição é outra estrela que guia a trilha de estrada.
Meu avô acende a vela da passagem, e a viola canta a minha volta pra casa.
[Bridge]
Ritual de frestas, acordes que cruzam o asfalto com a terra molhada, um farol de neón que não abandona a poeira.
O jovem que fui reconhece o avô que é mito, e o mito que sou eu, entre o rugir das máquinas e o ranger do cela do pasto.
[Chorus]
Quebra o muro entre concreto e chão de terra, sinto o coração acelerar no peito de fibra e corda.
Liberdade é rumor na garganta, tradição é outra estrela que guia a trilha de estrada.
Meu avô acende a vela da passagem, e a viola canta a minha volta pra casa.
[Outro]
A noite se curva, a estrada respira; o mundo me aceita de volta, com seus dois mundos em uma só cadência.
Neon some no céu rural; o som das rodas vira raiz, e eu sigo, dono do meu lugar.