Era só ferro torto, jogado atrás do curral.
Pintura, comida de tempo, cheiro bom de coisa imortal.
Banco rasgado de couro, volante pedindo perdão.
Mas, quando o motor acorda, bate junto meu coração.
Cangalho velho, mas me leva onde eu quero ir.
Cada risco conta um dia que eu quase quis desistir.
Cangalho velho, rodando firme nesse chão.
Se o mundo tentar me vender brilho, tu me devolve, pé no chão.
Porta que canta rangendo, janela que entra sereno.
Farol amarelo tremendo faz desenho no terreno.
Cangalho velho, mas me leva onde eu quero ir.
Cada risco conta um dia que eu quase quis desistir.
Cangalho velho, rodando firme nesse chão.
Se o mundo tentar me vender brilho, tu me devolve, pé no chão.
Deixa o povo rir da ferrugem que o tempo fez questão de deixar.
Velho é só nome pra história que ninguém mais consegue apagar.
Cangalho velho, mas me leva onde eu quero ir.
Se um dia eu virar lembrança, sei que tu vai estar ali.
Cangalho velho, rodando firme nesse chão.
Quando eu já for só saudade, tu vai cantar na mão de outro peão.