A luz da manhã entrou devagar pelo quarto,
e eu fiquei a olhar-te em silêncio, sem pensar muito alto,
a noite ainda presa na desordem dos lençóis,
e aquele sossego bonito que ficou depois de nós.
Contigo tudo parece leve e natural,
como se o mundo abrandasse de forma surreal,
o teu corpo no meu ainda quente e calmo,
e eu perdido nesse instante raro.
A tua pele tinha cheiro a madrugada,
misturado com amor e roupa espalhada,
e o teu riso baixinho no meio da almofada,
foi das coisas mais bonitas que ouvi na vida cansada.
Lá fora o tempo seguia indiferente,
carros, pessoas, rotina da gente,
mas ali dentro existia algo diferente,
como se o universo tivesse parado brevemente.
Tu encostada em mim sem dizer nada,
a passar os dedos lentamente na minha cara,
e eu a perceber naquela madrugada clara,
que há abraços onde a alma também se ampara.
Não era pressa, nem desejo vazio,
era calor tranquilo a afastar o frio,
como dois corações finalmente no mesmo ritmo,
num silêncio confortável e bonito.
Contigo até a noite ficou mais leve,
mais doce, mais calma, mais breve,
e se o amor às vezes assusta ou fere…
naquela cama parecia simples como deve ser.