[Intro]
Yeah…
Das ruas pro céu.
Tudo é real.
[Verso 1]
Poste aceso, medo aceso,
No bairro o silêncio pesa no peito preso.
Calçada fria, promessa vazia,
Mas há fé escondida em cada esquina sombria.
Antes era bola na rua até tarde,
Hoje é correr da polícia, ninguém é cobarde.
Antes era riso no banco do jardim,
Hoje é cada um por si, mas Deus olha por mim.
Prédios gastos, sonhos vastos,
Alguns caem cedo, outros ficam intactos.
Amigo perdido na curva errada,
Outro virou empresário da própria caminhada.
Rua ensina sem dar diploma,
Ou te molda em aço… ou te quebra na zona.
Perde-se tempo, ganha-se visão,
Cada cicatriz vira motivação.
[Refrão]
Rua não dorme, transforma o homem,
Do nada se ergue quem não se consome.
Perde-se medo, ganha-se chama,
Quem vem do chão aprende a ter fama.
Portugal vibra na voz da viela,
Entre o concreto ainda nasce estrela.
Se o mundo pesa na minha mão,
Faço da dor revolução.
[Verso 2]
Graffiti fala o que a TV cala,
Histórias cruas que ninguém embala.
Luxo sobe onde era pobreza,
Mas a alma da rua mantém firmeza.
Renda alta, mesa falta,
Mãe faz milagre e nunca se exalta.
Filho promete tirar a família dali,
Transformar “sobreviver” em “eu consegui”.
Antes havia porta aberta e café partilhado,
Hoje há código na entrada e olhar desconfiado.
Mas ainda há miúdo a sonhar ser alguém,
Mesmo quando o mundo diz que ele não convém.
Mar português corre no sangue quente,
Somos feitos de perda e de seguir em frente.
Entre o antes e o agora eu sei quem sou:
Sou fruto da rua que nunca me largou.
[Bridge – melódico]
Se a noite cai, eu não caio com ela,
Acendo futuro na luz da janela.
Se o passado tenta puxar meu pé,
Eu piso firme — fé sobre fé.
[Refrão Final – mais forte]
Rua não dorme, transforma o homem,
Do pó nasce rei sem precisar de nome.
Perde-se tudo, ganha-se visão,
Quem vem da calçada conquista o céu na mão.