[Verso 1]
Doce amargo no fundo da boca
sorriso cansado, cabeça louca
há tanta coisa em mim que sufoca
e eu já nem sei onde a dor toca
Eu dei amor até ficar vazio
dei tempo, calma, abraço e abrigo
e no fim fiquei só comigo
a ouvir o silêncio como castigo
Há noites no Alentejo tão frias
que até as estrelas parecem vazias
e eu sentado a rever fotografias
de pessoas que juravam ficar nos meus dias
[Refrão]
E eu tou cansado…
cansado de sentir tudo tão fundo
como se o meu peito carregasse o mundo
Cansado…
de amar sem receber
de sorrir só pra ninguém perceber
[Verso 2]
Já me aconteceu mais do que eu conto
há dores em mim sem nome nem ponto
há partes minhas penduradas no tonto
de tentar ser forte quando já tou pronto
Pronto pra desaparecer uns tempos
pronto pra fugir dos pensamentos
porque há memórias que entram cá dentro
e fazem da alma um apartamento deserto
Eu já pedi a Deus pra me ouvir
mesmo sem saber bem o que pedir
talvez só paz… ou conseguir dormir
sem esta tristeza a consumir
[Refrão]
E eu tou cansado…
de parecer tranquilo por fora
quando há tanta coisa em mim que chora
Cansado…
de carregar tanta verdade
num coração cheio de saudade
[Outro]
Mas eu ainda escrevo…
porque a tinta entende a minha dor
melhor do que muita gente entendeu o meu amor
E talvez um dia alguém leia isto
e perceba
que eu só queria ficar…
sem me sentir a mais