*(Intro)*
Há silêncio...
que pesa mais do que um império.
Escuta.
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*(Verso I)*
Sirvo o eclipse num cálice de vidro,
brindo ao vazio como quem brinda ao infinito.
Nunca me viste a correr atrás da montra,
eu prefiro a sombra quando a luz se desmonta.
Coleciono ausências,
não medalhas.
Há vitórias...
que cheiram a migalhas.
A minha calma
não nasceu do acaso.
Foi lapidada
na violência do atraso.
Há homens vestidos de ouro
com o espírito em ruína.
E há quem traga pó nas botas
com uma postura divina.
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*(Refrão)*
Tudo o que existe...
Morre devagar.
O brilho,
o poder,
a fama...
Tudo aprende a ajoelhar.
Só fica
quem soube caminhar
sem precisar
de pisar.
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*(Verso II)*
A minha voz não procura volume,
procura profundidade.
Enquanto vendem espelhos,
eu fabrico identidade.
Não conheço luxo maior
do que dormir sem fantasmas.
Nem perfume mais raro
que uma consciência lavada.
As cidades vestem pressa.
Eu visto distância.
Eles colecionam contactos...
Eu coleciono substância.
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*(Ponte)*
Se me vires calado...
Não confundas.
As montanhas
também não discutem
com o vento.
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*(Último Refrão)*
Tudo o que existe...
É só passagem.
Uns deixam pegadas.
Outros...
Só paisagem.
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*(Outro)*
Quando o último aplauso morrer...
Quero que reste o eco.
Não do meu nome...
Mas daquilo
que nunca teve preço.