Não corro atrás do tempo...
Faço-o esperar.
...
Vem.
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*(Verso I)*
Entro sem ruído...
o silêncio conhece-me pelo nome.
Não visto o brilho do ouro,
visto a elegância da fome.
Há vinho em copos de cristal,
e veneno em taças de prata.
Aprendi cedo...
nem tudo o que reluz desata.
Olham-me como paisagem.
Eu olho-os como passagem.
Há quem viva da montra...
eu vivo da viagem.
Não me perguntes quem manda.
Pergunta quem permanece.
Porque o eco de um homem
vale mais do que a voz que aparece.
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*(Pré-Refrão)*
O mundo anda depressa...
Eu não.
Quem sabe para onde vai...
nunca corre.
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*(Refrão)*
Só anda até mim...
Se vieres inteiro.
Não tragas coroas,
nem nomes emprestados.
Aqui...
o ego fica à porta.
E o carácter...
entra primeiro.
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*(Verso II)*
Vi fatos caros
a esconder almas baratas.
Vi botas velhas
a carregar catedrais.
Desde aí...
deixei de medir homens.
Passei a medir silêncios.
Há quem compre respeito.
Eu gasto tempo.
E o tempo...
nunca faz descontos.
Se o teu espelho te aplaude...
Parabéns.
O meu obriga-me
a olhar duas vezes.
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*(Ponte)*
Não me confundas
com quem precisa de palco.
Eu acendo salas...
Sem tocar na luz.
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*(Último Refrão)*
Só anda até mim...
Se vieres sem máscara.
Porque eu reconheço
o peso de uma mentira
antes mesmo
de ouvir a voz.
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*(Final)*
No fim...
Todos voltam ao pó.
Mas nem todo o pó
teve a honra...
de ser terra.