SEM CRATERA
[Verso I]
Na casa morta da memória,
sob um eclipse sem perdão,
a lua vestiu-se de ausência
e apagou o próprio coração.
Um círculo negro sobre o mundo,
um olho fechado sobre mim.
A luz ainda sangrava nas bordas,
mas no centro já não havia fim.
[Pré-Refrão]
Lua.
Metal.
Turbina.
Fogo.
O céu trocando de rosto
diante dos meus olhos.
[Refrão]
CAI!
Que o firmamento se despedace!
CAI!
Que toda esperança vire aço!
Eu gritei contra a queda,
mas o destino não espera.
O mundo inteiro explodiu em mim...
e não deixou cratera.
[Verso II]
Vi motores descendo em chamas,
como estrelas condenadas a morrer.
Cada ruína carregava um nome
que minha boca não podia dizer.
Não havia manche em minhas mãos,
não havia rota para alterar.
Eu era apenas uma testemunha
vendo outro destino se afastar.
O chão tremeu como um animal ferido,
as paredes aprenderam a gritar.
Mas quando a fumaça deixou meus olhos,
a rua continuava no lugar.
[Refrão]
CAI!
Que o firmamento se despedace!
CAI!
Que toda esperança vire aço!
Eu gritei contra a queda,
mas o destino não espera.
O mundo inteiro explodiu em mim...
e não deixou cratera.
[Ponte — lenta e pesada]
Talvez você nunca tenha caído.
Talvez tenha sido
a parte de mim
que acreditava voar ao seu lado.
Talvez nenhum avião tenha morrido.
Talvez apenas
uma rota tenha sido apagada
do mapa.
[Breakdown]
SEM CORPOS.
SEM DESTROÇOS.
SEM SEPULTURA.
APENAS O SOM
DE ALGO TERMINANDO
DENTRO DE MIM.
[Final]
Quando o eclipse abandonar o céu
e a última turbina parar de arder,
a cidade ainda estará de pé.
E eu também.
Mas algumas quedas não deixam ruínas.
Deixam silêncio.