A noite cai lenta dentro da minha mente
mil pensamentos em órbita, tudo intermitente
há ruído subtil a rasgar o silêncio
como se o tempo respirasse ao contrário do meu peito
sombras atravessam corredores internos
onde memórias falam em idiomas incertos
tento segurar ideias, elas escorrem-me das mãos
sou um arquivo vivo de contradições em expansão
mil pensamentos, nenhum em linha reta
uns têm cheiro a infância, outros sabem a perda secreta
uns vêm com ternura, outros com pressão
e eu no meio disto tudo sem tradução
É estranho existir dentro deste labirinto
onde cada decisão parece um instinto extinto
há ecos suaves a bater na minha fronte
como se o passado ainda me respondesse ao longe
pensamentos fragmentados, vidro espalhado no escuro
cada um reflete um futuro pouco seguro
há versões de mim que nunca se cruzam
e ainda assim todas dentro de mim se acusam
É um estado suspenso, quase suspensão do real
como se a mente tivesse um eclipse mental
e no fim da noite quando tudo desacelera
sou só consciência presa na própria atmosfera