[Intro]
Ao pôr do sol, o mar respira antigas canções
Duas sombras verdes de lenda entre as bússolas
Luz dourada na pele de escamas, olhos de lua
[Acordes de oceano susurram].
[Verse 1]
Dois tritões surgem, um amarelo como o sonho do ouro,
Olhos azuis que cortam a maré lenta da vila.
O outro, negro como a noite que cobre o rochedo,
Olhos vermelhos que prometem o frio do fundo.
Eles guardam segredos das rotas perdidas,
E cada pôr do sol os chama para a praça suja de peixe.
[Chorus]
Mas ela fica, firme na terra seca entre as ondas,
Jura que o mundo é terra firme, não o mar que a chama.
Rostos de água tentam, com promessas e sal, a seduzir,
E cada truque se desfaz na risada do vento que quer partir.
[Verse 2]
Eles cantam canções antigas, em gromeladas de conchas,
Tocam redes como harpas, deslizam por entre as cathredes do cais.
O dourado promete fortuna; o preto, segredos das profundezas,
Mas a mulher permanece, filha das dunas, de pés no chão.
[Pre-Chorus]
Ah, mar, tua voz é sereia que não aprende a palavra "não",
Mas hoje a cidade respira, e ela respira junto.
[Chorus]
Ela diz não ao oceano que cheira a tempestade,
Que envolve cada esquina com o brilho de sereias desenhadas.
Continua firme, mesmo quando as gaivotas riem,
E o pôr do sol pinta de ferrugem as velas do rumor.
[Bridge]
No silêncio da enseada, uma lembrança cintila como prata,
De uma promessa antiga, de uma rota que não se abre.
[Outro]
Quando a maré recua, a cidade continua a contar suas histórias,
De dois tritões que esperam, e de uma mulher que escolhe terra.)