**Angola, Terra de Vozes e Silêncios**
Angola, terra de sol que arde no céu,
Onde o coração bate forte, fiel,
De gente que sonha, luta e quer mudar,
Mas às vezes parece só se cansar.
Nas ruas ecoou um grito profundo,
De jovens e velhos que amam seu mundo.
Manifestar-se era ato de esperança,
De resgatar justiça e confiança.
Mas o tempo passou — e o grito virou sussurro,
A força da voz perdeu seu curso.
O clamor do povo virou repetição,
Uma banalização sem direção.
O protesto que antes inflamava o peito,
Hoje é rotina, quase sem efeito.
As ruas já não vibram com a mesma paixão,
A luta parece virar mera obrigação.
Mas Angola não é só essa história triste,
É também luta que nunca desiste.
É terra fértil de coragem e amor,
Que carrega no peito um sonho maior.
O povo cansado quer mais do que palavras,
Quer ação firme — não só bravatas.
Quer ver a mudança acontecer de verdade,
Sem medo, sem dor, com liberdade.
Manifestações são fogo da alma ardente,
Mas quando perdem sentido ficam ausentes.
Não basta gritar se não há transformação,
Não basta barulho sem mobilização.
Angola pulsa entre dor e esperança,
Entre silêncio e voz na lembrança.
Cada cidadão sabe o peso dessa luta,
Que não pode virar rotina oculta.
A banalização é inimiga da fé,
Do desejo sincero que move o pé.
Por isso o povo precisa reencontrar o caminho,
Para transformar o choro em carinho.
Carinho por esta terra tão sofrida,
Que merece paz em toda sua vida.
Que merece justiça sem demora ou medo,
Que merece um futuro sem segredo.
Por isso ergue a cabeça e não se cala jamais!
Mesmo quando a luta parecer demais.
Porque Angola é feita de gente guerreira,
Que renasce sempre na primavera.
E mesmo que o grito hoje pareça vazio,
Há uma chama viva no coração do exílio.
Do campo à cidade ecoa um só clamor:
Por Angola livre — por Angola de amor!