Deixa falar.
A rua tem fome de histórias.
Eu tenho fome de futuro.
Vejo nomes a circular
mais rápido que a verdade.
Há quem construa rumores,
há quem construa realidade.
Nesta cidade,
até o silêncio é julgado.
Toda a gente quer um trono,
mesmo que seja emprestado.
Mas eu já não discuto sombras.
Aprendi.
Nem toda a voz
merece morada na cabeça.
Nem toda a opinião
merece lugar à mesa.
Deixa falar.
O eco vive das paredes.
Eu vivo dos caminhos.
Há quem passe a vida
a contar os passos dos outros
porque tem medo
de contar os seus.
E quando apontam o dedo,
eu olho em frente.
Porque quem sabe para onde vai
não perde tempo
a discutir com quem ficou parado.
Deixa falar.
A rua tem fome de histórias.
Eu tenho fome de futuro.