Não te amo por me completares.
Amo-te porque, desde que chegaste, o mundo desaprendeu de ser apenas mundo.
Há qualquer coisa em ti que desalinha os relógios.
Quando me fitas,
o tempo abranda,
o ruído rende-se
e até o silêncio encontra abrigo.
Não és a minha saudade.
És o intervalo entre dois batimentos,
onde a vida repousa sem pedir licença.
Há quem procure o infinito no mar.
Eu encontrei-o na quietude da tua mão,
quando a minha lhe pediu morada.
A tua pele não me veste.
Acolhe-me.
Como a madrugada acolhe o primeiro canto,
como a terra recebe a chuva depois da estiagem,
sem alarde,
sem urgência,
com a serenidade de quem sabe que o amor não se prova...
Cultiva-se.
E se algum dia me perguntarem onde termina o meu caminho,
responderei:
Não termina.
Continua onde começa o teu.