[Intro]
No beco de concreto, a cidade respira culpa
Luz de néon pisca, meu reflexo é minha culpa
[Verse 1]
Sou o Peixeboyz na esquina, olhos de jaula, coração que não cala
Ganhei respeito no bolso, mas a alma fica fraca na fala
Ambição é faca de dois gumes, corta quem me olha sem sorrisos
Carrego promessas que viram cinzas, quando o dia quebra os compromissos
Dou passos na linha tênue entre o lucro e a dor que ele cobra
O clã me chama, a pressão morde, a favela me olha de sobra
[Pre-Chorus]
Vendo o brilho das janelas, sinto o peso do mundo na mão
Cada decisão é uma soga na minha própria direção
[Chorus]
Ganância na mente, culpa no peito, quem sou eu pra dizer
Levanto o risco pra ganhar amanhã, mas vejo o amanhã desaparecer
Confronto a minha sombra, não quero ser o que a gente fez
Mas a cidade me pede mais, e eu digo: até onde vou dizer não?
[Verse 2]
Cidade parece mural, cada rosto é uma história que não terminou
Cartas marcadas na pele, marcas que o tempo não levou
Vou seguindo o mapa de alarmes que o bairro segura com dor
Entre o barulho de tiros e o sussurro do vizinho que não tem calor
[Pre-Chorus]
Lembro da mãe que chora na porta, da criança que não sabe o que é paz
Se eu cair, quem sustenta a casa que eu tentei levantar?
[Chorus]
Ganância na mente, culpa no peito, quem sou eu pra dizer
Levanto o risco pra ganhar amanhã, mas vejo o amanhã desaparecer
Confronto a minha sombra, não quero ser o que a gente fez
Mas a cidade me pede mais, e eu digo: até onde vou dizer não?
[Bridge]
Vejo o custo nos olhos dos que amam, vejo gente que fim não quer aceitar
Se eu some, quem vai lembrar de quem ficou pra pagar?
[Outro]
A vontade de vencer esbarra na verdade que não sai do meu lar
Peixeboyz, eu existo aqui, entre o ouro e o acaso a me sufocar
Não há prêmio sem memória da dor que escolhi carregar