Se te demoras, enamoras, e o mundo melhora,
a noite lá fora ignora a hora que agora nos namora.
Teu olhar me devora, mas cura, perdura, segura,
e a minha loucura procura na tua ternura outra forma de ser.
Ser teu é querer, sem prender, aprender a viver
no breve prazer de te ver, de rever, de escolher.
Se a vida correr, deixa correr, deixa o tempo perder
a pressa de nos convencer que amanhã vai nascer.
Nasce o desejo, no beijo, sem medo, sem preço,
e eu esqueço o avesso do mundo quando te conheço.
No teu peito me deito, desfeito, imperfeito,
e aceito o defeito de ser tão suspeito de te querer mais.
Mais perto, desperto, no quarto aberto,
teu corpo por perto transforma o deserto em jardim.
E assim, até ao fim, sem princípio nem fim,
se houver mundo para mim, que seja contigo assim.
Fica, menina, divina, tão fina, tão minha,
que a vida sozinha não tinha a magia que tinha contigo.
Fica comigo, abrigo, perigo, desejo antigo,
porque quando te digo “fica”... já digo tudo o que digo.
Se fores embora, a aurora demora, a memória devora
a hora que outrora guardámos sem medo de a ver terminar.
Mas se ficares, se olhares, se voltares, se ampares,
talvez descubras nos meus olhos lugares onde ninguém soube ficar.
E se o tempo nos levar, deixar, separar,
eu hei de guardar o lugar onde aprendi a te amar.
Porque amar não é jurar que jamais vai acabar...
é saber que pode acabar...
e ainda assim querer ficar.