[Verso 1]
Eu vejo esses olhares oblíquos na passagem
essas conversas baixas cheias de personagem
gente a estudar cada passo da minha viagem
como se o meu caos lhes servisse de coragem
Falam do passado como sentença eterna
mas foi no escuro que a minha mente ficou moderna
enquanto muitos nasceram em estrada plana
eu aprendi a sobreviver em guerra interna
Tu tiveste conforto, eu tive sobrevivência
tu tiveste aplausos, eu resistência
há uma diferença brutal na consciência
de quem caiu cedo dentro da existência
[Refrão]
Então olha de lado
fala baixo
atira veneno disfarçado
Porque eu já sobrevivi
a coisas muito piores
do que opiniões de frustrados
[Verso 2]
Há cicatrizes no meu vocabulário
dor antiga transformada em comentário
cada verso meu parece inventário
de um coração que venceu o próprio calvário
Não devo elegância à falsidade
nem sorrisos à superficialidade
há demasiada máscara na cidade
e pouca gente com brutal honestidade
Enquanto eles observam, eu construo
enquanto criticam, eu evoluo
porque quem passou pelo inferno cru
aprende cedo a caminhar no escuro
[Ponte]
O meu passado não me diminuiu
lapidou-me
[Verso Final]
Hoje entro calmo em qualquer ambiente
porque já lutei guerras suficientes
e há uma serenidade diferente
em quem sobreviveu honestamente
Não preciso provar grandeza
o olhar transporta a natureza
de quem fez da própria tristeza
uma forma rara de beleza
[Outro]
Por isso continua a falar de mim…
às vezes o incómodo dos outros
é só admiração mal resolvida