Sabes Deus…
há noites em que eu desabo devagar
sem barulho, sem ninguém notar
como um prédio antigo a perder estrutura
enquanto sorri para esconder a ruptura
Sabes Deus…
eu tentei ser forte mais vezes do que devia
carreguei silêncio até me faltar a respiração da alma vazia
houve dias em que eu falava contigo a chorar
porque já nem sabia em quem acreditar
Eu confesso-te o medo que escondo no peito
a forma como às vezes me sinto imperfeito
as culpas que guardo sem nunca dizer
e as partes de mim que tenho medo de perder
Sabes Deus…
há pessoas que tocaram fundo e desapareceram
e memórias que mesmo mortas ainda arderam
há palavras que me ficaram na pele
como chuva fria presa num quarto sem janela
Mas também te agradeço
pelos dias em que ainda consegui sentir luz
pelas mãos que ficaram quando tudo me reduziu
e por nunca me deixares sozinho
mesmo quando eu próprio me perdi do caminho
Sabes Deus…
eu não quero riqueza nem fama vazia
quero paz dentro daquilo que sou todos os dias
quero aprender a amar sem medo do fim
e deixar de travar guerras dentro de mim
E no final de tudo o que te confesso baixinho
o resultado nunca foi ouro nem destino
foi perceber que mesmo partido e imperfeito
Tu continuaste aqui… dentro do meu peito