*(Intro)*
Hoje eu não vim pedir nada.
Só vim falar contigo.
Porque acho que finalmente percebi
que até a dor teve propósito.
*(Verso 1)*
Obrigado pelas portas fechadas
que eu amaldiçoei em silêncio.
Pelas noites sozinho
em que eu achei que o mundo tinha esquecido o meu nome.
Obrigado pelas pessoas
que eu quis que ficassem…
mas tiveram de ir.
Na altura eu não entendia.
Hoje percebo:
nem tudo o que parte é castigo.
Às vezes é direção.
*(Pré-refrão)*
E mesmo perdido,
Tu nunca me largaste.
Mesmo quando eu me afastei de mim.
*(Refrão)*
Então obrigado, Deus…
pelos meus pecados bonitos.
Pelas quedas que me ensinaram
a levantar sem fazer barulho.
Obrigado pelas lágrimas escondidas,
pelas guerras dentro do peito.
Porque no meio do caos
Tu estavas a moldar quem eu sou.
E hoje eu sei:
há dores que não vêm para destruir.
Vêm para acordar a alma.
*(Verso 2)*
Obrigado por eu sentir tanto.
Mesmo quando dói.
Porque há pessoas vazias
que nunca vão entender
o que é amar alguém de verdade.
Eu já tentei fugir do coração.
Já tentei ser frio.
Mas fui feito intenso demais
para viver pela metade.
E talvez isso venha do meu pai.
Talvez venha de Ti.
Talvez seja herança do céu
essa vontade de sentir tudo profundamente.
*(Bridge)*
Hoje eu não quero vingança.
Não quero respostas.
Nem quero que alguém volte.
Só quero paz.
Aquela paz
de quem finalmente aceita
que tudo teve um motivo.
*(Último refrão)*
Obrigado, Deus…
até pelas despedidas.
Porque algumas pessoas
não vieram para ficar.
Vieram para acordar partes minhas
que estavam adormecidas.
E se um dia perguntarem
como sobrevivi ao escuro…
eu vou dizer:
“foi Deus.
Mesmo quando eu não percebia.”
*(Outro)*
Hoje eu não tenho tudo.
Mas tenho consciência.
E talvez isso
seja o começo da luz.