[Intro]
Entre a fumaça e a lua, a cozinha é um tribunal
Mas o tempo não perdoa o silêncio que ficou ali
[Verse 1]
Era um homem que bebia para esquecer o que não volta
Brigava com a mulher, palavras afiadas, como vidro na bancada
Um prato voava pela janela, cortando o ar da casa
E as filhas pediam coisas simples, o mundo cabendo no bolso
[Pre-Chorus]
O chão guardava promessas que nunca chegaram
O riso que faltou na mesa era o peso que ele carregava
[Chorus]
Ela esperou as visitas para ver o que restou de carinho
Comprava tudo, sorvete, brinquedo, sonho pequeno
Mas quando a casa acalmava, o vazio voltava sem freio
E ele tentava apagar a noite com mais uma bebida de silêncio
[Verse 2]
As filhas cresciam com as fotos no criado mudo
E o vazio na janela era o panorama do fracasso
Um dia ele viu o reflexo do que foi e não era
Que o amor não se compra, mesmo com dinheiro na carteira
[Pre-Chorus]
O tempo sussurrou que era hora de mudar
Mas o hábito é denso, difícil de libertar
[Chorus]
Ela esperou as visitas para ver o que restou de carinho
Comprava tudo, sorvete, brinquedo, sonho pequeno
Mas quando a casa acalmava, o vazio voltava sem freio
E ele tentava apagar a noite com mais uma bebida de silêncio
[Bridge]
Pode ser que o caminho seja lento, passo a passo
Reconstruir o jantar, o cuidado no abraço
Até o fim, que a luz não suma da janela
[Chorus]
Ela esperou as visitas para ver o que restou de carinho
Comprava tudo, sorvete, brinquedo, sonho pequeno
Mas quando a casa acalmava, o vazio voltava sem freio
E ele tentava apagar a noite com mais uma bebida de silêncio
[Outro]
Quem sabe amanhã a casa aprenda a sorrir junto
E o vento leve embora as brigas, para sempre terminar