[Intro]
Bate o casquinho do tambor da mata, o vento vai sussurrar
[Verse 1]
Pela trilha estreita eu vou andando devagar
Com o passo do cavalo e o coração a sonhar
A floresta murmura segredos no pé do mato
Cada árvore é um contador de histórias no alto do pavo
[Pre-Chorus]
Canta o jumento, ri o riacho, curioso eu vou chegar
O jabuti atravessa o caminho, lento, a tanto olhar
[Chorus]
Vem comigo, meu canto, pelo sertão a rolar
Sanfona cobra o compasso, o forró vai começar
Surpresa a cada curva, medo que vira coragem
No canto da serra a gente aprende a rir da miragem
[Verse 2]
Um susto: uma cobra dança na sombra do casco do meu cavalo
O jacaré acena de longe, parece quase um casal de espantalho
Mas a sanfona responde com piu-piu de vento forte
A floresta aplaude quem tem fôlego e não foge da sorte
[Pre-Chorus]
O corais do riacho viram coro: “vai, vai, vai, não desista, meu povo!”
Eu relaxo o peito, o medo vira ponte de jogo falso
[Chorus]
Vem comigo, meu canto, pelo sertão a rolar
Sanfona cobra o compasso, o forró vai começar
Surpresa a cada curva, medo que vira coragem
No canto da serra a gente aprende a rir da miragem
[Bridge]
No entremeio da mata, gente encontra gente
Troca história, água de coco, risos que lampejam frente
Um forró improvisado com lama na bota e alegria na pele
A sanfona gira feito lua, guia a gente até o elo da fera e do doce
[Verse 3]
A estrada se dobra, o jabuti abre passagem com seu jeitinho
A gente segue dançando, o caminho fica cintilante, docinho
A cada passo, a coragem cresce como flor de mandacarú
Na noite de serra, o mundo fica mágico, feito anão de luar
[Chorus]
Vem comigo, meu canto, pelo sertão a rolar
Sanfona cobra o compasso, o forró vai começar
Surpresa a cada curva, medo que vira coragem
No canto da serra a gente aprende a rir da miragem
[Outro]
Quando o dia clareia, a mata sussurra o nosso segredo
Que a curiosidade é estrada, coragem é o nosso medo
E no final da trilha, a gente canta sem pressa nem presságio
A vida é mata, forró e sanfona, nosso encanto de viagem e abraço