**Oh... oh...**
Ainda sinto o cheiro da terra molhada...
Mesmo quando o mundo cheira a dinheiro.
**Hey...**
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*(Verso I)*
Nas ruas onde cresci...
Aprendi primeiro a cair.
Só depois...
Aprendi a sorrir.
Vi o sol nascer mais cedo que muita gente.
Enquanto a cidade dormia...
Já havia quem lhe desse vida.
Gasóleo nas mãos.
Pó nas botas.
Silêncio na boca.
E Deus nas costas.
Quem nasce nesta terra...
Aprende cedo...
Que o respeito não vem no nome.
Vem no lombo.
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*(Hook)*
**Oh... oh...**
Santiago do Cacém...
Ainda há sangue bom nesta terra.
**Oh... oh...**
Quem fala muito...
Raramente conhece o peso da enxada.
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*(Verso II)*
Hoje toda a gente sabe de tudo.
Toda a gente julga.
Toda a gente aponta.
Mas poucos conhecem...
O barulho de um estaleiro às sete da manhã.
Poucos sabem...
O que custa chegar a casa...
E tirar o pão...
Do próprio suor.
Uns fazem discursos.
Outros fazem turnos.
No fim do dia...
Só um deles chega cansado.
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*(Ponte)*
Não quero ser maior que ninguém.
Quero só dormir tranquilo.
Se Deus me guardar...
As bocas de veneno cansam-se primeiro.
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*(Último Refrão)*
**Oh... oh...**
Santiago do Cacém...
Não me esqueço de onde venho.
Nem troco raízes...
Por aplausos.
**Oh... oh...**
Quando falarem de mim...
Digam só isto...
"Pode não ter tido tudo...
Mas nunca deixou de trabalhar."
**Santiago do Cacém...**
Enquanto houver quem acorde antes do sol...
Esta terra...
Nunca deixa de respirar.