[Verso 1]
Demorei anos a perceber
que a paz não faz barulho
não chega em explosão
nem em euforia momentânea
chega devagar…
como fim de tarde sobre madeira antiga
como café quente em manhã fria
ou como alguém que fica
sem precisar prometer eternidade
[Refrão]
Talvez a querência seja isso
o lugar invisível
onde a alma finalmente abranda
não uma casa
mas uma presença
[Verso 2]
Passei demasiado tempo
a confundir intensidade com destino
a correr atrás de excessos luminosos
que me deixavam vazio depois
Hoje gosto do lento
do honesto
do toque sem urgência
e das conversas que respiram sem esforço
Há uma beleza rara
em não precisar fugir de si mesmo
quando alguém entra na nossa vida
[Ponte]
Tu tens esse efeito tranquilo
de fazer o mundo parecer menos agressivo
só pela maneira como existes perto de mim
[Outro]
E no meio de tudo o que já vivi…
talvez tu tenhas sido
a minha primeira sensação verdadeira
de querência