*(Intro)*
Há terras que se compram...
A minha herda-se.
Há homens que vivem do nome...
Nós vivemos da palavra.
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*(Verso I)*
Nasci onde o sol escreve devagar,
onde o silêncio também sabe falar.
Entre o trigo, a cortiça e o sobreiro,
aprendi que o homem vale pelo que faz primeiro.
Vi mãos gastas a levantar manhãs,
sem pedir aplausos, sem tocar trombetas.
Enquanto outros vestiam autoridade,
aqui vestia-se apenas honestidade.
Há quem fale de cima...
como se a altura desse razão.
Mas quem nunca tocou a terra
não conhece o peso do chão.
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*(Pré-Refrão)*
Olha bem...
O barro suja as botas,
mas limpa a consciência.
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*(Refrão)*
Meu Alentejo...
não és só um lugar.
És o orgulho calado
de quem nunca precisou de mandar.
Meu Alentejo...
és o sangue que não se vende.
Porque quem nasce na tua terra
aprende a ser...
antes de parecer.
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*(Verso II)*
Vejo gravatas a esconder vazios,
discursos compridos, olhares frios.
Tanta sede de subir degraus,
esquecem-se de cumprimentar quem ficou cá em baixo.
Chamam-me trabalhador...
como se fosse pouco.
Mal sabem eles
que é um trabalhador que segura o mundo.
Não invejo cadeiras,
nem respeito comprado.
Prefiro um velho de mãos rachadas
a um rei mal sentado.
Se o teu poder vive da voz...
o meu vive da calma.
Porque quem tem raízes fundas
não precisa de levantar a alma aos gritos.
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*(Ponte)*
Quando a poeira baixar...
Não ficam os cargos.
Não ficam os títulos.
Fica o nome...
que deixaste na boca dos outros.
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*(Último Refrão)*
Meu Alentejo...
onde o pão sabe a casa
e o vento conhece cada rosto.
Meu Alentejo...
terra de homens inteiros,
de mulheres gigantes,
de horizontes sem donos.
Aqui aprendemos cedo...
Que o respeito não se exige.
Conquista-se.
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*(Outro)*
Podem olhar de cima...
Eu continuo de pé.
Porque quem nasce da terra...
Nunca se ajoelha à poeira.