Deus,
não te escrevo para pedir milagres.
Escrevo porque há noites em que o silêncio pesa mais do que o mundo
e mesmo assim eu continuo a procurar-te.
Às vezes penso que estás no sol —
na forma como ele insiste em nascer
mesmo depois dos dias mais escuros.
Outras vezes encontro-te na lua,
quieta, imperfeita, mas sempre presente,
como alguém que ama sem fazer barulho.
Não sei se me ouves.
Mas se ouvires,
guarda dentro de Ti as partes minhas que eu ainda não consegui salvar.
Ensina-me a perdoar o tempo.
As pessoas.
E principalmente a mim.
E quando eu perder a fé nas coisas bonitas,
faz-me lembrar que até o céu precisa da noite
para mostrar as estrelas.
Com amor,
alguém humano demais para entender o infinito.