(Verso 1)
O sol se põe e o mundo se recolhe no meu manto
Eu vejo os homens temendo o que não podem ver
Mas eu só vejo o rastro do teu antigo encanto
No escuro onde o tempo parou de correr.
Tu não tinhas tronos, nem coroas, nem aço
Eras apenas o sopro que a vida emprestou
Mas o universo inteiro cabia no teu abraço
E a eternidade em mim, por um momento, descansou.
(Refrão)
Oh, Julian, meu pequeno e vasto amor
A noite é minha, mas o meu coração é teu
Sou a mãe de todos, o fim de toda dor
Mas sou apenas a viúva de um homem que morreu.
As estrelas são cartas que nunca te entreguei
Escritas na tinta da minha solidão
Eu sou a deusa de tudo o que criei
Mas sou a serva da tua recordação.
(Verso 2)
Tuas mãos eram frágeis, marcadas pelo barro
As minhas moldavam o destino e o trovão
Mas quando eu descia no meu negro carro
Era o teu toque que acalmava a minha mão.
Os outros deuses pedem sangue e devoção
Tu me davas versos sobre o orvalho e o luar
E na brevidade da tua respiração
Eu aprendi que amar é, enfim, deixar passar.
(Ponte)
Dizem que os mortais são como sombras ao vento
Mas tu és a luz que minha sombra não apaga
Eu te guardo aqui, num eterno momento
Enquanto o mar da história em minhas mãos deságua.
Dorme, meu amor, sob o véu que eu teci
Onde a morte não pode mais te alcançar
Pois enquanto houver noite, eu estarei aqui
Velando o sono de quem nunca vou deixar de amar.
(Final)
O mundo dorme agora, Julian...
E eu, a mãe de todos, finalmente choro em paz.
Pois no escuro, o teu nome...
É o único silêncio que me satisfaz.