Eu nunca fui de falar muito,
guardei o mundo cá dentro de mim,
entre silêncios e medos antigos
aprendi a viver assim.
Já dei o que tinha e não tinha,
já fui inteiro e fiquei sem chão,
hoje caminho mais devagarinho,
com o coração na mão.
Dizem que sou complicado,
que sinto demais sem mostrar,
mas ninguém vê nos meus olhos
o quanto eu ainda sei amar.
Se às vezes eu me afasto,
não é por não te querer,
é só medo que o passado
volte outra vez a doer.
Mas se ficares, fica a sério,
sem promessas por dizer…
fica pelo que sou por dentro,
não pelo que eu posso ser.
Que eu não sou perfeito, eu sei,
sou feito de tudo o que vivi,
não é defeito — é só o jeito
que a vida deixou em mim.
E se um dia eu te deixar ver
o que eu escondo sem querer,
é porque em ti encontrei
um lugar pra me perder.
Então fica… mas fica inteiro,
sem medo de me conhecer,
que eu prometo, pouco a pouco,
voltar a acreditar outra vez.
E se o amor for pra ser casa,
talvez eu deixe entrar…
porque no meio de tudo o que fui,
ainda estou cá… pra amar.